Docentes da Uemg e da Unimontes apresentam campanha salarial de 2026 na ALMG

Publicado em 27 de Março de 2026 às 18h11. Atualizado em 27 de Março de 2026 às 18h13

Professoras e professores da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) realizaram um dia de paralisação nesta quinta-feira (26). A mobilização por reajuste salarial, valorização da carreira e pela autonomia universitária, marca o lançamento da Campanha Salarial 2026, também apresentada em audiência pública na Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

Pela manhã, as e os docentes mineiros acompanharam a votação do Projeto de Lei 5.323/26 de reajuste de 5,4% ao conjunto do funcionalismo. “Apesar da pressão das servidoras e dos servidores públicos estaduais de diferentes categorias e seus sindicatos, com forte presença da Aduemg, Adunimontes e ANDES Sindicato Nacional, as emendas que propunham um índice maior de reajuste (9,36%) foram derrotadas em plenário, graças aos votos da base governista na ALMG”, afirmou Cassio Diniz, 1° secretário da Regional Leste do ANDES-SN. 

De acordo com Diniz, que também é da Diretoria Colegiada da Aduemg SSind, a luta se mantém forte. “A mobilização da categoria em Minas Gerais continua por recomposição salarial e por outras pautas, como a luta pela autonomia universitária (PEC 59/25), o pagamento de dedicações exclusivas (PL 3.218/24), a regulamentação das gratificações por função, como também pelo fim da Lista Tríplice nas Universidades Estaduais Mineiras, cujo PL 5.365/26, de autoria da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), foi publicado hoje na ALMG”, informou o professor.

Para o presidente da Associação dos Docentes da Uemg (Aduemg SSind), Túlio Lopes, não se trata de um aumento, mas de um reajuste mínimo que não contempla sequer as perdas salariais dos dois últimos anos. “O governo anunciou como se fosse algo acima da inflação deste ano. Acumulamos mais de 85% de perdas salariais nos últimos anos. Falta uma política salarial do governo do Estado. Vamos seguir na luta por valorização profissional e por uma nova carreira”, destacou. 


Assembleia aprova Jornada de Lutas
Logo após a votação do PL do reajuste salarial, em Assembleia Geral, a Aduemg SSind deliberou pela realização de uma jornada de lutas para aprovação dos projetos de lei que tramitam na ALMG. Além da PEC 59/25, que trata da autonomia universitária, e do PL 3.218/24, que busca garantir a Dedicação Exclusiva, Lopes enfatizou a necessidade de aprovação do PL 3.219/25, que cria a gratificação por exercício de função. “Também seguimos cobrando, juntamente com a Adunimontes, o cumprimento do nosso acordo de greve que completou 10 anos”, concluiu o presidente da Aduemg. 


Vitória contra a privatização da Uemg
Durante a audiência, Lopes comemorou a retirada de pauta do PL 3.738/25, no dia 3 de março. A proposta tratava da transferência da gestão da Uemg e de todo o seu patrimônio para a União, mas enfrentou forte resistência das e dos docentes, técnicas e técnico-administrativos e da comunidade estudantil. Em 2025, a categoria aprovou o estado permanente de mobilização e realizou diversas manifestações contra a medida. “Uemg: quem conhece, defende!”, uma campanha vitoriosa. Nós derrotamos o projeto privatista do governador Romeu Zema. Uma vitória de toda a comunidade universitária da Uemg”, celebrou o docente. 


Giro
Universidades estaduais de vários estados estão mobilizadas por recomposição salarial e valorização da carreira. Na Universidade do Distrito Federal (UnDF), docentes iniciaram a greve no último dia 20, após inúmeras tentativas de diálogo com a reitoria por melhores condições de trabalho e reajuste salarial. 

Já no Rio de Janeiro, após dez anos, professoras e professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) deflagraram greve na quarta (25), por recomposição salarial e do orçamento da universidade.

No Pará, docentes da Universidade do Estado do Pará (Uepa) se juntaram aos demais servidores do estado na “Marcha da Indignação”, que tomou as ruas de Belém, na terça-feira (24), por valorização e negociação salarial digna. 

No Maranhão, as estaduais Uema e Uema Sul (da Região Tocantina) aprovaram, em assembleia realizada ontem (26), a intensificação da mobilização da campanha salarial, incluindo paralisações. 

Na próxima terça-feira (31), as e os docentes da UERR, além do movimento estudantil, realizam um ato público em frente à Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), a partir das 9h, para chamar atenção sobre problemas estruturais e administrativos, além de reajuste salarial. O ato foi aprovado pelo Sinduerr SSind e busca, entre outros pontos, resolução para dificuldades na assistência estudantil, problemas na estrutura física e a redução da presença da UERR no interior. 

No Piauí, a ADCESP SSind decidiu, em assembleia, realizar um dia simbólico de mobilização, em 1º de abril de 2026, para cobrar do estado o impacto financeiro das perdas salariais dos últimos 13 anos. A manifestação também vai trazer as preocupações da categoria em relação ao Projeto de Lei do Programa de Gestão Especial da Oferta (PGEO). 

No Mato Grosso do Sul, a Aduems SSind se uniu às demais entidades do serviço público para discutir a recomposição salarial de 3.8%, anunciada pelo governo estadual. Foi proposta a construção uma agenda de lutas em prol da valorização salarial. A categoria docente na UEMS amarga 44,48% de perdas desde 2014 e aprovou estado de greve em Assembleia na sexta-feira (20).

Docentes das estaduais do Paraná (Unespar), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Norte do Paraná (Uenp), de Ponta Grossa (UEPG), de Maringá (UEM), de Londrina (UEL) e do Centro-Oeste (Unicentro) também paralisaram as atividades no dia último dia 17, para pressionar o governo de Ratinho Júnior (PSD) por reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

No Amazonas, docentes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) estão mobilizados na Campanha Salarial 2026. As Assembleias Gerais descentralizadas já chegaram à capital Manaus.

Fotos: William Dias/ALMG

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