
No primeiro dia do 69º CONAD do ANDES-SN, sexta-feira (3), realizado em São Luís (MA), a Plenária do Tema 1 - Conjuntura e Movimento docente reuniu as e os participantes para uma profunda atualização da conjuntura nacional e internacional. O evento, com o tema central “Guarnicê a luta pela educação pública na terra da Balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita”, é sediado pela Associação de Professores da Universidade Federal do Maranhão (Apruma SSind) e reúne mais de 300 docentes de diversas regiões do país.
Foram apresentados quatro textos de apoio para o debate, que foi marcado por uma análise crítica sobre o mundo contemporâneo, descrito como cada vez mais caótico e polarizado, onde as crises do capitalismo intensificam tragédias socioambientais, a fome e o adoecimento da classe trabalhadora mundial. Para os e as participantes, a intensificação da exploração capitalista e o avanço da extrema direita exigem do movimento sindical uma postura de enfrentamento direto ao neoliberalismo e ao fascismo.
A discussão do texto 1 destacou a crise estrutural do capital e seus limites ecológicos intransponíveis. O documento alertou para o recrudescimento do imperialismo e a ascensão de formas políticas extremas como resposta das classes dominantes à estagnação econômica. Já o Texto 2 reforçou a necessidade de um ANDES-SN de frente única e classista para potencializar a organização da categoria contra o imperialismo e a extrema direita, trazendo à tona a urgência de uma formação política que rejeite a conciliação de classes.

A conjuntura nacional também foi alvo de críticas, especialmente em relação ao atual governo federal. O texto 3 trouxe o debate sobre desacordos com as políticas do governo, como a privatização da educação, o arrocho fiscal e criticou o não cumprimento de acordos com o funcionalismo público. Houve destaque para a destinação massiva de recursos ao agronegócio — em detrimento da agricultura familiar . Nesse contexto, o debate sobre as eleições de 2026, foi tratado como uma batalha decisiva pela soberania nacional contra o domínio fascista.
A solidariedade internacionalista encerrou as discussões dos textos de apoio, com o Texto 4 traçando paralelos entre as resistências na Bolívia, Palestina, Cuba e Argentina. Foi reafirmado o apoio aos povos oprimidos pelo cerco imperialista e a necessidade de reforçar a luta contra as opressões, especialmente das mulheres trabalhadoras, como um eixo central da atuação sindical.
Ao encerrar os trabalhos, a 2ª vice-presidenta do ANDES-SN, Letícia Nascimento, que presidiu a plenária, avaliou o saldo das discussões. "A categoria traz uma grande preocupação sobre o debate de conjuntura internacional, em especial com o desastre ambiental recente na Venezuela, com a situação do cerco em Cuba, o genocídio na Palestina. Todas essas questões mostram como o imperialismo no mundo todo, em especial sobre a batuta norte-americana, continua avançando e continua oprimindo a classe trabalhadora”, observou.
A diretora do Sindicato Nacional destacou que internamente, há uma grande preocupação da categoria com o ano eleitoral e com a capacidade da categoria docente de negociar com os governos federal e estaduais e conseguir, nesse processo, avançar na estruturação da carreira e também na qualidade dos serviços públicos prestados a toda a população.

“Tudo isso encontra-se ameaçado com a possibilidade de eleição da extrema direita. A categoria sinalizou, de diferentes maneiras, que é importante um apoio às candidaturas que estejam aliadas à classe trabalhadora. Mas há um debate ainda que nos divide, sobre qual nível de apoio é possível o sindicato declarar. Isso será debatido nos próximos dias, nos grupos mistos e nas plenárias”, concluiu.
Participaram da mesa da Plenária do Tema 1, além de Letícia Carolina, as diretoras Fernanda Mendonça, 1ª vice-presidenta da Regional Sul, Regina Célia da Silva, 2ª vice-presidenta da Regional São Paulo, e Eralci Terézio, 2º vice-presidente da Regional Pantanal.
Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN