Multidão vai às ruas na Argentina contra cortes de Milei nas universidades públicas

Publicado em 15 de Maio de 2026 às 14h08.

Centenas de milhares de pessoas se manifestaram na terça-feira (12) em todas as províncias da Argentina, como parte da Quarta Marcha Universitária Federal. O protesto reuniu estudantes, docentes, técnicos e técnicas administrativos, representantes sindicais, de organizações sociais e população em geral.

Fotos: Conadu Histórica

As e os manifestantes foram às ruas em defesa da educação pública e para exigir que o governo de Javier Milei cumpra a Lei 27.795, sobre o financiamento das universidades. Aprovada em outubro de 2025 após a derrubada de um veto presidencial, a medida estabelece o financiamento das universidades nacionais e a reestruturação salarial dos professores e funcionários.

Em todo o país, as marchas denunciaram a política de desfinanciamento e desmantelamento implementada pelo Executivo Nacional. Cerca de 70% dos salários de docentes, de servidoras e de servidores da educação superior estão abaixo da linha da pobreza, com perda salarial equivalente a oito salários desde o início do governo de Milei.

Mais de 60 universidades em todo o país exigiram o cumprimento da lei e a destinação de verbas para garantir seu funcionamento. Segundo os organizadores, 1,5 milhão de pessoas se mobilizaram em diferentes partes do país.

Sob o lema “Pela educação, universidade pública e ciência nacional”, a mobilização em Buenos Aires foi organizada com o apoio da Federação Argentina de Universidades (FUA), da Frente Nacional de Sindicatos Universitários e do Conselho Interuniversitário Nacional (CIN), e teve seu epicentro na Plaza de Mayo, onde ocorreu o evento principal.

Durante o dia, também foram registradas mobilizações massivas em cidades como Córdoba, Rosário, Santa Fé, Mendoza, Neuquén, Salta, Jujuy, Mar del Plata, Corrientes e Resistencia, entre outras.

Segundo um relatório do Centro Ibero-Americano de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inovação (Ciicti), o orçamento das universidades argentinas caiu este ano para 0,428% do Produto Interno Bruto (PIB), o nível mais baixo desde 1989. Esse número contrasta fortemente com os 0,526% do PIB registrados em 2025 e os 0,718% em 2023, antes da posse do atual governo.

O documento aponta que os fundos alocados pelo Ministério da Educação da Argentina para o desenvolvimento do ensino superior sofreram uma queda real de 21,8% em 2024, seguidos por um declínio de 3,5% em 2025. As projeções indicam uma queda adicional de 16,9% para 2026, intensificando as preocupações no setor.

Em Buenos Aires, os grupos organizadores denunciaram que a crise enfrentada pelas universidades “não é apenas orçamentária”. “O Poder Executivo, num ato sem precedentes de desprezo institucional, decidiu se insurgir contra os outros dois poderes: ignora a Lei de Financiamento das Universidades nº 27.795, aprovada e ratificada por ampla maioria no Congresso, e desconsidera as decisões judiciais que ordenam seu cumprimento imediato”, declararam membros da Confederação das Universidades Argentinas (FUA), durante a leitura de um documento no evento principal na Plaza de Mayo.

“Não podemos permitir que os pilares de nossas universidades — trabalhadores, docentes, funcionários, pesquisadores e estudantes — sejam expulsos do sistema. Se não defendermos nossas universidades hoje, o futuro de prosperidade do país não passará de um sonho. É aqui e agora. As universidades públicas devem ser defendidas. Por mais e melhor educação pública e ciência”, concluíram.

O acesso ao ensino superior público na Argentina é gratuito para os estudantes desde 1949, e muitas das 57 universidades nacionais, financiadas pelo Estado, gozam de sólida reputação acadêmica. Essa tradição de gratuidade e excelência está ameaçada por cortes orçamentários, o que motivou a grande manifestação desta terça em defesa do modelo nacional de educação.

Fonte: Telesur, com edição do ANDES-SN

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