Em uma importante vitória para a democratização do acesso ao ensino superior, a Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp) acatou a proposta para a implementação de cotas para estudantes trans e travestis. A conquista é fruto direto da greve estudantil, que garantiu a força e a articulação política necessárias para que a pauta avançasse nos órgãos deliberativos da universidade.
“Essa luta só foi possível através da greve, que deu força e articulação política para aprovarmos as cotas trans ainda esse ano, com a intenção de ser implementada no vestibular de 2027”, afirmou o Diretório Central de Estudantes (DCE) da Unesp, em rede social.
A aprovação ocorreu durante uma mesa de negociação, na qual a reitoria aceitou a minuta elaborada pela Frente por Cotas Trans da Unesp. O compromisso firmado prevê que a proposta seja levada aos conselhos universitários responsáveis, com a intenção de que a política de ações afirmativas já seja implementada no vestibular de 2027.
O movimento estudantil destaca que essa medida é um passo essencial para combater a exclusão histórica dessa parcela da população. Dados indicam que mais de 80% das pessoas trans não conseguem concluir o ensino médio devido à discriminação e ao preconceito, o que torna as cotas uma ferramenta vital de reparação e inclusão.
Para o ANDES-SN, a política de reserva de vagas pessoas trans e travestis é uma vitória significativa para a educação pública e para a proteção de uma população que enfrenta altos índices de violência no Brasil. O Sindicato Nacional considera que a ampliação dessas políticas fortalece o movimento LGBTI+ e prepara a comunidade acadêmica para debates ainda mais profundos sobre diversidade e permanência estudantil.
*Com informações do DCE Unesp e Esquerda Online. Imagem: Semayat S. Oliveira/Nós da Periferia