A greve nas universidades estaduais paulistas ganhou um novo capítulo, nesta semana, com a adesão das e dos docentes da Universidade de São Paulo (USP) ao movimento paredista, na segunda-feira (25). A paralisação se soma às mobilizações já em curso de estudantes e servidoras e servidores técnico-administrativos e docentes de outras universidades estaduais paulistas, ampliando a pressão sobre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).
A decisão da categoria docente ocorre em meio ao impasse nas negociações salariais entre o Cruesp e o Fórum das Seis, que reúne entidades representativas da USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além do Centro Paula Souza.
As e os docentes da USP reivindicam a reabertura das negociações entre a Reitoria da instituição e as e os estudantes, bem como entre o Cruesp e o Fórum das Seis; o reajuste salarial de 7,39% — composto pelo IPCA de 4,39% e mais 3% de recomposição salarial pelas perdas acumuladas desde 2012; o aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE); a garantia de que estudantes grevistas não sejam punidos ou jubilados; além da apuração das responsabilidades pela desocupação violenta da Reitoria da USP pela Polícia Militar, ocorrida na madrugada de 10 de maio.
A assembleia também aprovou a realização de uma vigília durante a reunião do Conselho Universitário da USP, realizada nessa terça-feira (26), para pressionar pela retirada da pauta da proposta de reajuste de apenas 3,47% apresentada pela Reitoria.
As e os estudantes da USP estão em greve há mais de 40 dias e reivindicam, entre outros pontos, aumento de 100% no auxílio permanência.
Segundo Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN e docente da USP, o movimento grevista ganhou força após a aprovação, pelo Conselho Universitário da instituição, da chamada Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), voltada inicialmente a parte da categoria docente e, posteriormente, estendida às servidoras e aos servidores técnico-administrativos. “Após a conquista da gratificação pelos servidores, os estudantes passaram a reivindicar o aumento do valor do PAPFE. A avaliação do movimento estudantil é de que, se duas categorias receberam benefícios, a permanência estudantil também deveria ser fortalecida”, afirma.
A docente explica que as e os estudantes reivindicam que o auxílio alcance o valor equivalente a um salário-mínimo paulista, atualmente em torno de R$ 1.800.
Annie ressalta ainda que, nas reuniões com a Administração da universidade, o reitor manteve uma postura considerada intransigente e recusou reajustar o benefício, o que levou à ocupação da Reitoria no dia 7 de maio e, posteriormente, à entrada da Polícia Militar no local durante a desocupação realizada no Dia das Mães. Ela destaca também que estudantes vêm sofrendo ameaças relacionadas à frequência e ao rendimento acadêmico, o que, segundo a docente, busca enfraquecer o movimento.
Para a diretora do ANDES-SN, a greve docente expressa solidariedade ao movimento estudantil e às servidoras e aos servidores técnico-administrativos. “A categoria docente entrou em greve muito por conta desse acúmulo e também em solidariedade aos estudantes e pela nossa luta pelo reajuste salarial”, conclui.
Unicamp
Na Unicamp, as e os docentes estão em greve desde o dia 18 de maio. O Comando de Greve da Adunicamp SSind. realiza, junto a estudantes, servidoras e servidores, uma agenda unificada de mobilizações, atos públicos, debates, atividades culturais e ações políticas em defesa da educação pública, da universidade e das condições de trabalho.
Unesp
Na Universidade Estadual Paulista, o movimento também avança entre os três segmentos da universidade. Até o momento, docentes de oito campi aprovaram a adesão à greve: Bauru, Marília, Araraquara, Franca, Rio Preto, Rio Claro, Assis e Guaratinguetá. Entre as servidoras e os servidores técnico-administrativos, já aderiram os campi de Bauru, Franca, Marília e Rio Preto. Novas assembleias seguem ocorrendo. As reivindicações da permanência estudantil – isonomia e melhorias nos valores de bolsas e auxílios, entre outras – ainda não foram negociadas.
Segundo a diretora do Sindicato Nacional, para as categorias em greve, a unificação das lutas entre docentes, estudantes, servidoras e servidores fortalece a pressão sobre o Cruesp e amplia o debate público sobre o financiamento das universidades estaduais paulistas.
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