Na madrugada de sábado (10) para domingo (11), a Polícia Militar de São Paulo invadiu o prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) para retirar cerca de 150 estudantes que ocupavam o espaço desde quinta-feira (7). Em greve há quase um mês, o movimento estudantil exige a reabertura de negociações com o reitor Aluísio Segurado.
A ação truculenta contou com 50 policiais e deixou várias pessoas feridas. De acordo com a reitoria, a PM não comunicou previamente a administração da universidade sobre a operação. No entanto, gestão da USP havia informado à Secretaria de Segurança Pública sobre a ocupação do prédio e, desde sexta-feira (8), a PM e o Batalhão de Ações Especiais (BAEP) estavam na área do prédio.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP informou que houve seis feridos levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rio Pequeno. Dois já foram liberados e quatro continuam internados, sendo que um deles teve o nariz fraturado. Segundo o DCE, os policiais usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cassetetes que feriram as e os estudantes.
Em nota, o ANDES-SN repudiou veementemente a ação violenta e truculenta da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Para a entidade, a operação evidencia uma escalada repressiva incompatível com os princípios democráticos que devem orientar a vida universitária. “É extremamente grave que reivindicações estudantis legítimas sejam respondidas com violência policial em uma das universidades de maior referência acadêmica e científica da América Latina”, afirmou o Sindicato Nacional.
Para o ANDES-SN, o episódio torna-se ainda mais preocupante diante do abandono, por parte da Reitoria da USP, dos canais de diálogo e de negociação. As e os estudantes buscavam retomar as negociações após o encerramento unilateral das tratativas, anunciado pela própria Reitoria à imprensa durante a reunião de negociação da data-base entre o Fórum das Seis e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Curesp), na última segunda-feira (4).
“A ocupação da reitoria expressava a justa reivindicação de um espaço legítimo de interlocução e de diálogo político, condição básica de uma universidade comprometida com a democracia interna e com a educação pública e de qualidade”, ressaltou o Sindicato.
A entidade se solidarizou com as e os estudantes, bem como com toda a universidade uspiana. “Reafirmamos que a universidade deve cumprir seu papel social e, sobretudo, pedagógico, na construção de formas democráticas de resolução de conflitos e não recorrer à violência de Estado para silenciar a legítima mobilização estudantil”, concluiu a nota do ANDES-SN. Leia aqui a íntegra da nota.
O Fórum das Seis – que congrega as entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e Centro Paula Souza – também repudiou a violenta ação policial na reitoria da USP. O Fórum ressalta a ilegalidade da ação policial, sem determinação de reintegração de posse e feita na madrugada, e responsabiliza o reitor da USP e do governador Tarcísio de Freitas que, segundo notícias na imprensa, a planejaram detalhadamente nos últimos dias.
“As cenas de violência da ação policial mancham a história da USP, trazendo à lembrança os sombrios períodos da ditadura militar-empresarial. Universidade pública é local de diálogo democrático! O Fórum das Seis insta o reitor Aluísio Segurado a reabrir as negociações com as entidades representativas e dialogar efetivamente sobre as justas reivindicações dos estudantes, que lutam por condições dignas de estudo e permanência”, afirmou em nota.
Reivindicações estudantis
A principal reivindicação do movimento estudantil é o reajuste das bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). De acordo com o DCE da USP, na primeira mesa de negociação, a reitoria informou que não seria possível aumentar ou reajustar nenhum valor, mas na segunda mesa voltou atrás e apresentou um reajuste de R$ 27 e, para os moradores do Cruesp, um aumento de só R$ 5 no valor do auxílio. “O que estamos exigindo agora, que é a principal demanda dos estudantes, é sobretudo o aumento do auxílio”, afirmou em coletiva de imprensa, na noite de quinta (7), Rosa Baptista Miranda, integrante da direção do DCE-Livre.
“Esse processo de mobilização é na verdade uma resposta à negligência da Reitoria. É uma resposta daqueles que estão cansados de ser ignorados por um órgão que deveria atender e ouvir os seus estudantes”, acrescentou. Na ocasião, a estudante reconheceu que houve avanço nas negociações, com a revogação de uma minuta sobre os espaços estudantis e o estudo da criação de cotas trans e indígenas para acesso à USP. No entanto, na sequência, o processo diálogo foi interrompido unilateralmente por parte do reitor Aluísio Segurado.
*Com informações da Agência Brasil e Adusp SSind.