Israel sequestra ativistas da Global Sumud; brasileiro segue detido e sob tortura

Publicado em 04 de Maio de 2026 às 17h25. Atualizado em 04 de Maio de 2026 às 17h33

Forças navais de Israel interceptaram as embarcações da missão humanitária Flotilha Global Sumud na última quarta-feira (29), nas proximidades da Grécia. O local fica a mais de 900 quilômetros de Gaza. De acordo com os organizadores da flotilha, 177 pessoas foram raptadas e 175 liberadas, sendo que dois ativistas, um deles brasileiro, seguem sequestrados e sob tortura.

Em nota, a organização da Flotilha informou que, além de capturar as embarcações, a Marinha de Israel bloqueou comunicações, canais de socorro e atuou de forma agressiva contra as e os ativistas que buscavam levar ajuda humanitária para Gaza. Cerca de 20 barcos tiveram a viagem interrompida. Mas a Flotilha segue com outras embarcações. 

O brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, foram detidos e levados para prisão em Askalan, cidade na costa de Israel, próxima à fronteira Norte de Gaza. Os relatos são de que sofreram tortura e espancamentos. Os e as demais desembarcaram na quinta-feira (30), na ilha, e foram escoltados até a capital Heraklion, onde foram liberados. 

Além de Ávilla, os brasileiros Leandro Lanfredi e Mandi Coelho também estavam na Flotilha e chegaram nesta segunda-feira (4) ao Brasil. Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro RJ), Leandro Lanfredi falou à Agência Brasil sobre a violência na abordagem das embarcações pelos militares israelenses.

"Tivemos 35 pessoas que foram hospitalizadas, que ficaram na Grécia, duas delas ficaram mais de 24 horas hospitalizadas. Nós temos o Thiago e o Saif que seguem detidos. Nós fomos sequestrados em águas internacionais. Mas foi só uma pequena amostra do que estão sofrendo Thiago e o Saif, e nem falar o que sofre o povo palestino, o que sofre o povo libanês", relatou Lanfredi.

Segundo o dirigente sindical, a ação israelense contou com a conivência das autoridades gregas. "A pior das violências que a gente sofreu aconteceu em águas gregas, quando vários foram espancados e por consequência disso depois hospitalizados. Quando a gente desceu depois desse espancamento, dava para ver a costa. Foi ali e com supervisão de três barcos gregos que diversos camaradas foram espancados. E, sob supervisão dos barcos gregos, avisados que seguiam Thiago e Saif presos, que esse barco pôde seguir rumo a Israel", denunciou.

Em nota conjunta emitida sexta-feira (1), os governos do Brasil e da Espanha condenaram, nos termos mais enérgicos, o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do Governo de Israel.

“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições. Os governos do Brasil e da Espanha exigem do governo de Israel o retorno imediato de seus cidadãos, com plenas garantias de segurança, e que se facilite o acesso consular imediato para sua assistência e proteção”, afirma a nota.

No domingo (3), Thiago Ávila e Saif Abu Keshek passaram por uma audiência e tiveram a prisão estendida por mais dois dias, até uma próxima audiência, nesta terça-feira (5). Ambos apresentavam ferimentos e relataram às advogadas terem sido vítimas de violência, ameaças de morte e detenção em condições que violam direitos internacionais. Os dois permanecem em greve de fome há seis dias, consumindo apenas água, em protesto contra o sequestro ilegal por Israel em águas internacionais. 

Conforme vídeo divulgado por Lara Souza, ativista e companheira de Ávila, a embaixada brasileira e a advogada responsável pelo caso informaram que foram apresentadas cinco acusações não formalizadas, colocadas apenas como “suspeitas” de associação ao terrorismo. Segundo a defesa, não foram apresentados embasamentos legais ou evidências que justifiquem tais alegações.

“Thiago é um ativista humanitário que, há mais de 20 anos, luta ao lado do povo palestino por sua emancipação. Ele não é e nunca fez parte de nenhum grupo terrorista. Organizar ações de ajuda humanitária não é colaborar com o inimigo em tempo de guerra: é um direito de um povo que sofre um genocídio há anos. Precisamos nos mobilizar para que o governo brasileiro exija a liberdade de seu cidadão, que foi sequestrado em águas internacionais e segue mantido preso sem qualquer acusação formal”, afirmou Lara.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde de Gaza, confirmadas em janeiro por um integrante das Forças de Defesa de Israel, desde de outubro de 2023, mais de 72 mil palestinos e palestinas, sendo milhares crianças, já foram mortos por Israel e mais de 170 mil feridos.

O ANDES-SN repudia veementemente a interceptação ilegal das embarcações da Flotilha Global Sumud por Israel, a violência contra os tripulantes e o sequestro de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek. O Sindicato Nacional se soma às demais vozes que exigem a libertação imediata dos dois ativistas, bem como a responsabilização do governo de Israel por mais esta ilegalidade, bem como por todos os crimes de guerra cometidos contra os povos palestino e libanês.

Com informações da Agência Brasil e Agência Alma Negra. Imagens: Flotilha Global Sumud

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