Após quase dez meses sem conseguir retomar o diálogo com o governo da Bahia, o Fórum das Associações Docentes (ADs) confirmou a paralisação do movimento docente nesta quarta-feira (20). O Fórum das ADs reúne representantes das Seções Sindicais do ANDES-SN nas universidades do Estado da Bahia (Aduneb SSind.), do Sudoeste da Bahia (Adusb SSind.), de Feira de Santana (Adufs SSind.) e de Santa Cruz (Adusc SSind.).
Em reunião realizada em Feira de Santana, na última sexta-feira (15), as seções sindicais alinharam as atividades que serão realizadas para fortalecer a luta contra a ausência de resposta do governo à pauta de reivindicações da categoria e para pressionar pela retomada da mesa de negociação. Além disso, a mobilização visa também denunciar para a comunidade acadêmica e a população em geral os impactos da ausência de negociações.
De acordo com o Fórum das ADs, a categoria docente cobra, entre outros pontos, a regularização dos adicionais de insalubridade; o pagamento dos anuênios retroativos; a recomposição de direitos afetados pela reforma da previdência estadual; a revisão no reajuste abusivo do Planserv; e a melhoria da cobertura e dos atendimentos abrangidos pelo plano.
As e os docentes demandam ainda um maior financiamento para as universidades estaduais da Bahia (Ueba), com a destinação mínima de 7% da receita líquida de impostos (RLI) para as instituições. O Fórum denuncia que, com base em dados dos Relatórios e Balanços da Secretaria da Fazenda da Bahia, entre os anos de 2020 e 2024, as Ueba perderam mais de R$1,26 bilhão, por conta de cortes nos recursos previstos.
Promessa não cumprida
Em janeiro de 2025, durante audiência pública, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) se comprometeu em manter um calendário permanente de reuniões com a categoria. A partir de julho do ano passado, no entanto, o trato deixou de ser cumprido. A última reunião entre o movimento docente e o governo ocorreu no dia 29 de julho de 2025. Desde então, o governo está ignorando solicitações reiteradas pela reabertura do diálogo.
Em dezembro passado, o Fórum das ADs entregou, diretamente ao governador Jerônimo Rodrigues, ofícios cobrando a retomada da mesa de negociação. As requisições foram realizadas durante eventos públicos em Ilhéus, na celebração dos 34 anos da estadualização da Uesc, e em Feira de Santana, durante a inauguração do Teatro da Uefs. Apesar de sinalizar, na época, pelo encaminhamento da demanda, o governo da Bahia não definiu uma agenda, até o momento, para receber o movimento.
A paralisação do dia 20 integra uma escalada das mobilizações construídas pelo movimento docente nos últimos meses, incluindo a campanha “9 meses de vazio e silêncio”, realizada em abril por meio de outdoors e busdoors em diferentes cidades da Bahia. O Fórum das ADs considera que novas ações poderão ser intensificadas caso o governo siga sem apresentar respostas e sem retomar a mesa de negociação com a categoria.
Atividades de paralisações e mobilizações nas Ueba
Uneb: Com 27 campi, os atos de protesto serão locais e a expectativa é que ocorram em várias regiões do estado. No campus da Uneb em Salvador (Cabula), às 7h30, acontecerá o "Café da manhã com o governador". Durante a atividade, uma cadeira ficará reservada para o chefe do executivo, como símbolo da ausência de diálogo do governo. Além disso, estão previstas panfletagens e atividades artísticas com mensagens de protesto.
Uesb: Panfletagem em salas de aula e espaços de convivência nos três campi nesta terça-feira, 19. Já no dia 20, a partir das 7h30, será realizado um café da manhã nos portões da Uesb, nos três campi (Vitória da Conquista, Jequié, Itapetinga). Os portões serão fechados na terça-feira à noite e reabertos apenas na quarta-feira (20), a partir das 21h.
Uesc: Panfletagem com carro de som e “mingau da resistência” ocorrem na terça, 19, na entrada do campus; seguida de paralisação na quarta, 20.
Uefs: Mobilização com panfletagem no pórtico a partir das 7h30, no dia 20.
Fonte: Fórum das ADs, com edição do ANDES-SN