Leilão de escolas em Minas Gerais escancara avanço da privatização na educação pública 

Publicado em 09 de Abril de 2026 às 11h27. Atualizado em 09 de Abril de 2026 às 11h34

O governo do estado de Minas Gerais realizou um leilão para a concessão de 95 escolas da rede pública estadual, transferindo à iniciativa privada a gestão da infraestrutura dessas unidades. A operação representou mais um avanço na política do governo estadual, atualmente sob gestão de Mateus Simões (PSD), ex-vice-governador de Romeu Zema (Novo), de ampliar parcerias público-privadas e aprofundar um modelo que privilegia a lógica de mercado.

O certame, realizado no dia 30 de março, foi promovido pelo Governo de Minas Gerais, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE), com o objetivo de conceder à iniciativa privada a gestão da chamada “infraestrutura escolar”. O fundo de investimento em participações (FIP) IG4 BTG Pactual Health Infra foi o vencedor ao apresentar proposta de R$ 22,3 milhões, com deságio de 14,17%. O contrato prevê investimentos estimados em R$ 5,1 bilhões ao longo de 25 anos, destinados às 95 unidades da rede estadual.

Caberá à empresa a responsabilidade por serviços não pedagógicos, como reformas, conservação e manutenção das escolas. O fundo, que também é ligado ao banco BTG Pactual, é gestor da Opy Health, empresa que gerencia infraestrutura hospitalar.

A medida, apresentada como uma parceria público-privada (PPP), tem sido alvo de fortes críticas por parte de entidades sindicais, entre elas o ANDES-SN, além de movimentos estudantis e sociais, que denunciam o aprofundamento da lógica de mercantilização da educação. Protestos também foram realizados contra a medida e em defesa de melhores condições de trabalho nas escolas públicas.

Em nota, o ANDES-SN denunciou que “é inaceitável a fragmentação da escola pública e a transferência de sua gestão material e estrutural para agentes privados, subordinados à lógica do lucro e da financeirização”. Segundo o sindicato, a chamada “gestão não pedagógica” é parte indissociável do processo educativo, sendo fundamental para garantir condições adequadas de ensino e aprendizagem.

O Sindicato Nacional também criticou o volume de recursos públicos envolvidos na concessão. Ao destinar bilhões de reais em investimentos ao longo de 25 anos e assegurar contraprestações mensais ao parceiro privado, o Estado de Minas Gerais explicitou, segundo o ANDES-SN, uma escolha política de transferir recursos públicos ao capital privado, em detrimento do fortalecimento da gestão pública direta e da valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação.

Outro ponto considerado grave pela entidade é o perfil do grupo vencedor. A transferência da gestão da infraestrutura escolar para um fundo de investimentos com atuação em áreas como saúde e infraestrutura é vista como um indicativo da consolidação de um novo campo de negócios, no qual a educação passa a ser tratada como ativo financeiro e oportunidade de rentabilidade.

Para o ANDES-SN, “é particularmente grave que a gestão das escolas seja transferida a um fundo de investimentos com atuação em áreas como saúde e infraestrutura, evidenciando a constituição de um novo campo de negócios que trata a educação como ativo financeiro e oportunidade de rentabilidade”.

O Sindicato alertou ainda para os impactos que esse tipo de modelo pode gerar a médio e longo prazo, como a precarização das condições de trabalho, com a substituição de servidoras e servidores públicos por contratos terceirizados; a fragilização do controle social e da gestão democrática nas escolas; e a submissão da organização escolar a metas de eficiência empresarial, incompatíveis com a função social da educação pública.

Acesse aqui a nota na íntegra

Foto: Divulgação/Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais

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