Docentes das estaduais do PR, RJ e MA lutam por recomposição salarial e valorização da carreira

Publicado em 17 de Março de 2026 às 15h13.

Professoras e professores das universidades estaduais do Paraná, do Rio de Janeiro e do Maranhão realizam, nesta semana, paralisações e assembleias para definir os rumos da mobilização e pressionar os governos estaduais por avanços na recomposição salarial e na valorização das carreiras.
 

Foto: Reprodução / Adunioeste SSind.

Nesta terça-feira (17), as e os docentes das universidades das Estaduais do Paraná (Unespar), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Norte do Paraná (Uenp), de Ponta Grossa (UEPG), de Maringá (UEM), de Londrina (UEL) e do Centro-Oeste (Unicentro) paralisaram as suas atividades para pressionar o governo de Ratinho Júnior (PSD) por seus direitos. A mobilização incluiu um ato em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba, também com o objetivo de denunciar à sociedade a situação da categoria.

A mobilização no estado tem como eixo central o pagamento da data-base, com a reposição integral da inflação nos salários. Entre as principais reivindicações estão, ainda, a recomposição das perdas acumuladas — que já chegam a 52,18% ao longo de dez anos —, o acesso à carreira de docente Titular e Associado D e a luta contra a Lei Geral das Universidades (LGU).

A categoria denuncia que o governo estadual ainda não sinalizou o envio de projeto de lei à Alep para garantir a reposição inflacionária, descumprindo a constituição e legislação estaduais, que asseguram a revisão anual dos salários. A postura tem sido apontada como expressão de descaso com o funcionalismo público e tem ampliado a insatisfação da categoria.

As e os docentes também se posicionam contra o Projeto de Lei 25/2026, que pretende proibir as universidades estaduais de adotarem políticas de cotas raciais em processos seletivos e concursos públicos.

Nos próximos dias, as seções sindicais do ANDES-SN no estado realizam assembleias para definir os rumos do movimento. Apenas a Adunioeste SSind. e o Sindiuepg SSind. ainda não aprovaram, até o momento, indicativo de greve.

Foto: Reprodução / Adunicentro SSind.

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) paralisam suas atividades nesta quarta-feira (18) para participar de um ato unificado com servidoras e servidores públicos estaduais. A mobilização tem como principal ponto de pauta a recomposição salarial, diante das perdas acumuladas nos últimos anos.

A categoria reivindica recomposição inflacionária imediata, com aplicação de 25,49% já no orçamento de 2026, além do pagamento do restante das perdas ao longo dos anos seguintes, com percentuais anuais acrescidos do IPCA.

A concentração do ato ocorre às 9h, no Largo do Machado, com caminhada até o Palácio Guanabara. A paralisação foi construída em diálogo entre a Associação de Docentes da Uerj (Asduerj - Seção Sindical do ANDES-SN) e o sindicato das técnicas e dos técnicos da Uerj, reforçando a unidade entre os segmentos. As entidades também discutem a realização de uma assembleia conjunta.

Na quinta-feira (19), as e os docentes mantêm a paralisação para realizar assembleia, que avaliará o ato e discutirá um possível indicativo de greve.

Maranhão
Já no Maranhão, docentes das universidades estaduais do Maranhão (Uema) e da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul) também avançam na mobilização em torno da campanha salarial. Em assembleia geral realizada no último dia 12 de março, a categoria debateu as propostas apresentadas pelo governo estadual, que sinalizou reajuste de 10%, sem a antecipação de 3,5%, prevista na Lei 12.121/2023. Para as e os docentes, a proposta é insuficiente e não garante a recomposição das perdas.

Como encaminhamento, foi aprovada paralisação no dia 19 de março, caso não haja anúncio oficial que atenda às reivindicações. A decisão expressa a disposição da categoria em intensificar a pressão por avanços concretos, especialmente antes do calendário eleitoral.

Também foram deliberadas ações para ampliar a visibilidade da campanha salarial, como a instalação de outdoors e o fortalecimento da mobilização nas redes sociais e nos meios de comunicação. A categoria permanece em assembleia permanente, pronta para deliberar diante de novas propostas do governo.

Articulação nacional
Segundo Luciana Henrique de Souza, 1ª vice-presidenta da Regional Pantanal e da coordenação do Setor das Iees, Imes e Ides do ANDES-SN, o Sindicato Nacional tem papel fundamental no apoio e na articulação das mobilizações.

“Aprovamos recentemente nosso plano de lutas do Setor, que reafirma a necessidade da recomposição salarial e da valorização da carreira docente. Quando uma seção sindical do ANDES-SN está em luta, o Sindicato Nacional também está. Essa articulação fortalece a mobilização dos e das docentes e a defesa da universidade pública, porque valorizar o professor é, também, valorizar a educação pública”, afirmou.

A diretora do Sindicato Nacional destacou ainda que o ANDES-SN contribui para o fortalecimento das lutas locais por meio da articulação nacional, da construção de ações conjuntas e de campanhas de pressão sobre governos estaduais, municipais e distrital. 

A entidade também apoia as seções sindicais na produção de dados e informações, como pesquisas sobre financiamento, que subsidiam a atuação da categoria. Entre as iniciativas em curso, Luciana ressaltou a campanha “Universidades estaduais, municipais e distrital: quem conhece, defende”, lançada em 2022, que busca ampliar o reconhecimento e a defesa dessas instituições públicas.

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